Brasileiros batem recorde histórico de gastos no exterior em 2026 impulsionados por câmbio e novas rotas
Com alta de 22,5% no primeiro semestre, o mercado de viagens internacional do Brasil supera a marca de 2014, embalado pela valorização do real, passagens acessíveis e expansão da malha aérea.
O setor de turismo vive um momento de efervescência sem precedentes. Passagens mais competitivas, hotéis atrativos e um poder de compra revigorado pela cotação favorável da moeda norte-americana explicam por que os viajantes brasileiros nunca investiram tanto em experiências internacionais quanto em 2026.
Dados oficiais divulgados pelo Banco Central revelam que o primeiro semestre deste ano pulverizou qualquer marca anterior desde o início da série histórica, em 1995. Entre janeiro e junho, os desembolsos de turistas brasileiros em jornadas pelo mundo somaram impressionantes US$ 12,62 bilhões. Somente no mês de junho, o volume de gastos atingiu US$ 2,22 bilhões, um avanço expressivo de 19,6% sobre os US$ 1,85 bilhão contabilizados no mesmo período de 2025.
Para o trade turístico, o ritmo constante confirma que o apetite do brasileiro por explorar novos destinos globais segue firme e em rota de aceleração, impulsionando tanto as agências quanto as companhias aéreas que operam rotas internacionais.
Superando a era da Copa do Mundo: o tamanho do salto corporativo e de lazer
A comparação com anos anteriores dimensiona a força dessa retomada. No primeiro semestre de 2025, os desembolsos somavam US$ 10,3 bilhões, e o patamar atual representa um salto de 22,5% na mesma base de comparação, evidenciando que o consumo no exterior ganhou proporções robustas.
O dado mais impressionante, contudo, é a ultrapassagem do recorde anterior para um primeiro semestre, que pertencia a 2014, ano em que o Brasil parou para sediar a Copa do Mundo e registrou US$ 12,4 bilhões em despesas internacionais.
O marco histórico de 2026 supera essa cifra mesmo sem o apelo de um evento global equivalente, evidenciando uma mudança estrutural no comportamento do consumidor brasileiro, que agora prioriza as viagens em seu planejamento financeiro de médio e longo prazo.
Câmbio favorável e malha aérea robusta explicam a disparada
Especialistas do setor apontam o câmbio como o principal propulsor desse movimento. O dólar acumulou queda de 6,87% ao longo dos primeiros meses do ano, saindo de R$ 5,49 em janeiro para fechar julho cotado a R$ 5,11. Com uma moeda americana mais acessível, o orçamento do viajante brasileiro ganhou fôlego em polos turísticos da Europa, dos Estados Unidos e nos países vizinhos da América do Sul.
Esse cenário de alta é sustentado pela valorização contínua do real frente ao dólar, barateando os custos terrestres e aéreos, somada ao robusto incremento na oferta de voos internacionais com origem e destino nos hubs brasileiros. A manutenção de uma atividade econômica aquecida e o fortalecimento das exportações brasileiras completam a engrenagem que favorece a apreciação da moeda nacional.
Para o mercado, o panorama assegura margem de consumo ampliada no exterior, embora os players da indústria sigam atentos às variações sazonais das tarifas. Paralelamente, o turismo receptivo também registrou alta, com estrangeiros injetando US$ 6,543 bilhões no Brasil entre janeiro e julho, o que representa um crescimento de 9,4%.
Contudo, como o ritmo de gastos dos brasileiros fora do país avança com mais intensidade, o Brasil se mantém como um forte emissor líquido de turistas, projetando fechar 2026 como o ano de maior movimentação internacional de sua história
Redação com Diário do Turismo
