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Greve geral em Portugal provoca caos aéreo e cancela centenas de voos em Lisboa
Milhares de passageiros que tinham viagem marcada entre Brasil e Portugal precisaram rever seus planos nesta semana. A greve geral convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) para esta quarta-feira, 3 de junho, provocou o cancelamento de voos, alterações nas operações aéreas e impactos em diversos serviços públicos do país europeu.
A mobilização foi organizada em protesto contra o pacote de reforma trabalhista apresentado pelo governo do primeiro-ministro Luís Montenegro. Batizada de “Trabalho XXI”, a proposta já foi aprovada pelo Conselho de Ministros e segue para discussão no Parlamento português.
Segundo as centrais sindicais, as mudanças previstas representam um enfraquecimento de direitos históricos dos trabalhadores. Entre os principais pontos contestados estão alterações nas regras de terceirização, flexibilização do banco de horas e mudanças nas relações de trabalho. O governo, por sua vez, defende que a reforma é necessária para modernizar a economia portuguesa, aumentar a competitividade e atrair novos investimentos.
O reflexo mais imediato da paralisação foi sentido nos aeroportos. Antes mesmo do início oficial da greve, companhias aéreas já anunciavam cancelamentos e ajustes em suas malhas para minimizar os impactos operacionais.
A Azul Linhas Aéreas confirmou o cancelamento de quatro voos entre Campinas e Lisboa. No dia 2 de junho deixaram de operar os voos AD8750 e AD8900, ambos partindo do Aeroporto Internacional de Viracopos com destino à capital portuguesa. Já no dia 3 foram cancelados os voos de retorno AD8751 e AD8901, programados para sair de Lisboa rumo ao Brasil.
A Latam Airlines também anunciou alterações em sua programação. O voo LA8146, que faria a rota Guarulhos-Lisboa no dia 2 de junho, foi cancelado, assim como a operação de retorno prevista para o dia seguinte. A companhia informou que os passageiros afetados podem optar por remarcação sem cobrança de multa ou solicitar reembolso integral, respeitando as condições tarifárias de cada bilhete.
Já a TAP Air Portugal, principal operadora da ponte aérea entre os dois países, passou a operar sob regime de serviços mínimos. A empresa anunciou a manutenção de 79 voos durante os dias de paralisação, número significativamente inferior à sua operação habitual.
Apesar das restrições, a TAP conseguiu preservar grande parte das ligações com o Brasil. Das aproximadamente 20 frequências normalmente realizadas entre os dois países, 17 foram mantidas, incluindo conexões para Recife, Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Aeroporto de Lisboa concentra maiores impactos
O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, principal porta de entrada dos brasileiros em Portugal, é o local que concentra os maiores transtornos. Passageiros enfrentam cancelamentos, atrasos, filas para atendimento e necessidade de reacomodação em outros voos.
Diante da situação, a administração aeroportuária orientou os viajantes a verificarem o status das operações diretamente com as companhias aéreas antes de se deslocarem ao terminal. A recomendação busca evitar deslocamentos desnecessários e reduzir o congestionamento nas áreas de embarque.
Além dos passageiros afetados pelos cancelamentos, especialistas alertam que os efeitos da greve podem se prolongar por vários dias. Isso porque a reorganização de aeronaves, tripulações e conexões internacionais costuma gerar impactos em cadeia em toda a malha aérea europeia.
Os direitos dos consumidores permanecem garantidos. Passageiros com voos cancelados têm direito à remarcação sem custos adicionais ou ao reembolso integral da passagem. Em casos de problemas relacionados à bagagem, como extravios decorrentes dos atrasos operacionais, também podem existir mecanismos de compensação previstos pela legislação europeia.
Saúde, educação e transportes também param
O impacto da greve vai muito além da aviação. O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroporto (SITAVA), que representa os profissionais de solo, aderiu ao movimento, assim como o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), representante dos tripulantes de cabine.
Nos transportes terrestres, a paralisação afeta trens, metrôs e outros serviços de mobilidade urbana, especialmente na região de Lisboa. Diversas linhas operam com horários reduzidos ou foram totalmente suspensas.
A área da saúde também registra interrupções. O Sindicato dos Médicos do Norte e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses confirmaram participação no movimento, embora os serviços mínimos de emergência estejam sendo mantidos.
No setor educacional, escolas e instituições públicas registram adesão significativa dos trabalhadores, resultando em suspensão de aulas e redução do atendimento administrativo.
Esta é a segunda grande greve convocada pela CGTP contra a reforma trabalhista do governo de Luís Montenegro. A primeira mobilização ocorreu em dezembro de 2025 e já havia demonstrado a forte resistência dos sindicatos às mais de cem alterações previstas na legislação laboral portuguesa.
Enquanto governo e trabalhadores mantêm posições divergentes, a greve desta semana evidencia a dimensão do debate sobre o futuro das relações de trabalho em Portugal. Para os brasileiros que planejam viajar ao país nos próximos dias, a principal orientação continua sendo acompanhar os comunicados oficiais das companhias aéreas e do Aeroporto de Lisboa para obter informações atualizadas sobre seus voos.

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