Pesquisa revela alta incidência de depressão, estresse e insônia entre jornalistas brasileiros

Estudo oficial desenvolvido por órgãos de referência aponta que metade dos profissionais da imprensa convive com sintomas depressivos e quadros severos de desgaste na rotina de trabalho

Um levantamento oficial recente sobre as condições de trabalho e a saúde mental dos profissionais da imprensa no Brasil trouxe à tona dados alarmantes a respeito do impacto da profissão na qualidade de vida da categoria. A pesquisa foi produzida pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro) — órgão vinculado ao governo federal — com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Os resultados foram oficialmente apresentados em Brasília, durante uma reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional em Brasília, no dia 14 de setembro de 2026, durante uma reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional.

De acordo com o estudo, 50% dos jornalistas entrevistados relataram apresentar sintomas de depressão. Desse total, o levantamento detalha que 9% manifestaram sintomas classificados como severos, enquanto 16% encaixam-se na categoria de extremamente severos.

Os problemas relacionados ao descanso e à exaustão mental também aparecem com forte expressividade entre os trabalhadores da área:

  • Insônia: Cerca de 47,9% dos profissionais afirmam sofrer com distúrbios graves de sono. Esse índice supera de forma expressiva as médias nacionais de referência registradas por levantamentos de saúde pública do Ministério da Saúde.
  • Estresse: O relatório aponta que 47,8% dos jornalistas convivem diariamente com altos níveis de estresse associados à rotina das redações e coberturas.
  • Ansiedade: Sinais claros e recorrentes de transtornos de ansiedade foram identificados em 35,8% dos participantes da amostra.

Fatores de risco e o ambiente profissional

As pesquisadoras responsáveis pela condução do estudo da Fundacentro, Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze, apontam que o dinamismo intenso inerente à atividade jornalística, somado à pressão por tempo e à exposição a coberturas complexas, expõe profundamente os trabalhadores a riscos psicossociais.

Além da rotina puxada, a pesquisa mapeou que fatores organizacionais agravam o cenário: 61% dos profissionais afirmam receber baixo apoio social no ambiente de trabalho — indicador que mede a qualidade da interação e o suporte vindo de colegas e superiores. O levantamento também registrou índices elevados de exposição a episódios de assédio moral e pressões desmedidas, reforçando a urgência de debates e ações concretas por parte de empresas de comunicação, entidades e gestores públicos para assegurar ambientes laborales mais seguros e humanos.

Onde encontrar apoio e ajuda?

Embora a Fundacentro e a Fenaj tenham o papel de realizar diagnósticos oficiais, produzir dados técnicos e alertar sobre as condições de trabalho e a saúde mental da categoria, órgãos de pesquisa e prevenção em segurança laboral não funcionam diretamente como canais de atendimento clínico de urgência ou delegacias de denúncia trabalhista individual.

Para buscar ajuda psicológica, orientação legal ou realizar denúncias formais, os jornalistas dispõem de caminhos oficiais específicos em outras instâncias, como:

  • Suporte sindical e jurídico: Procure o sindicato de jornalistas do seu estado (filiado à Fenaj) para denúncias de assédio ou condições precárias, ou acesse o Ministério Público do Trabalho (MPT) para casos graves.
  • Saúde mental: Utilize a rede pública pelo SUS (UBS e CAPS) para acompanhamento psicológico ou ligue gratuitamente para o CVV no número 188 para apoio emocional sigiloso 24 horas.

Texto: Silvana Canal com agência

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