Airbnb movimenta cerca de R$ 97 milhões por ano com hospedagens em Foz do Iguaçu

Cidade registra aproximadamente 2,5 mil imóveis anunciados na plataforma, que amplia participação no mercado de hospedagem e acompanha o crescimento da atividade turística

O mercado de aluguel por temporada vem ganhando espaço em Foz do Iguaçu e já representa uma parcela relevante da oferta de hospedagem do município. Dados da plataforma de inteligência de mercado Airbtics indicam que a cidade possuía 2.498 anúncios ativos no período entre novembro de 2024 e outubro de 2025, com receita anual média estimada em aproximadamente R$ 39 mil por acomodação.

A partir desses indicadores, a movimentação potencial gerada exclusivamente pelas hospedagens anunciadas no Airbnb chega a cerca de R$ 97,4 milhões por ano. O valor corresponde às receitas estimadas dos anfitriões e não inclui os gastos realizados pelos visitantes em restaurantes, comércio, transporte, atrativos turísticos e outros serviços.

No período analisado, a diária média registrada foi de aproximadamente R$ 214, enquanto a taxa de ocupação ficou em torno de 51%. Uma acomodação típica teve cerca de 186 noites reservadas ao longo do ano, resultando em uma receita média mensal próxima de R$ 3,3 mil. Julho foi apontado como o mês de maior rentabilidade para os anfitriões.

Impacto ultrapassa o setor de hospedagem

O efeito econômico das plataformas de aluguel por temporada vai além da renda obtida pelos proprietários dos imóveis. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), elaborado a partir de dados internos do Airbnb, aponta que a atividade movimentou mais de R$ 113 bilhões na economia brasileira em 2025, crescimento de 13% em relação ao ano anterior.

Segundo o levantamento, o impacto estimado sobre o Produto Interno Bruto (PIB) chegou a quase R$ 63 bilhões. A atividade também esteve associada a mais de 700 mil empregos e à geração de quase R$ 9 bilhões em tributos.

A metodologia utilizada pela FGV considera não apenas os valores pagos pelas hospedagens, mas também os efeitos indiretos sobre setores como alimentação, supermercados, comércio, transporte, entretenimento, limpeza e demais serviços.

Em estudo referente a 2024, a fundação estimou que, para cada R$ 10 gastos por hóspedes em estadias pelo Airbnb, outros R$ 52 circulavam em diferentes segmentos da economia. Serviços e comércio concentraram a maior parte desses efeitos, representando 57,9% e 24,8%, respectivamente.

Apesar disso, não há, no material público consultado da FGV, um valor oficial consolidado sobre o impacto econômico total do Airbnb especificamente em Foz do Iguaçu. Dessa forma, os aproximadamente R$ 97,4 milhões correspondem a uma estimativa das receitas das acomodações e não ao impacto econômico total da atividade no município.

Foz aparece entre destinos em alta

O crescimento do aluguel por temporada ocorre em meio à expansão da demanda turística por Foz do Iguaçu. Em julho de 2026, o Airbnb incluiu o município entre os destinos brasileiros em alta para as viagens de meio de ano. Segundo a empresa, as buscas por viagens nacionais para o período cresceram quase 30% em relação ao ano anterior.

Dados atualizados da Airbtics em 2026 também apontam aproximadamente 2,5 mil anúncios ativos na cidade, com receita anual típica na faixa de R$ 45 mil e ocupação próxima de 52%.

Turismo impulsiona diferentes setores

O avanço das hospedagens por temporada acompanha o desempenho do turismo em Foz do Iguaçu. Pesquisa da Secretaria Municipal de Turismo, realizada com 1.537 visitantes, apontou que 87% dos turistas permanecem pelo menos uma noite na cidade. Os hotéis continuam sendo a principal opção de hospedagem, escolhida por 62% dos entrevistados.

O levantamento também registrou permanência média de 4,27 noites e gasto médio de R$ 3.336,65 por visitante durante a estadia. Os recursos são distribuídos entre diferentes atividades, incluindo alimentação, transporte, compras e visitação aos atrativos turísticos.

A hotelaria tradicional também apresentou desempenho elevado em 2025. Segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo, a ocupação média chegou a 68,5% até outubro, maior resultado da série histórica acompanhada pelo município. Janeiro registrou 81% de ocupação, enquanto julho alcançou 76%.

O cenário indica que a expansão das plataformas de aluguel por temporada ocorre paralelamente ao crescimento da demanda turística, ampliando a diversidade de opções de hospedagem e contribuindo para a circulação de recursos em diferentes setores da economia de Foz do Iguaçu.

Texto: Maria Vitória de Moura.

Foto: Maria Vitória de Moura.

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