Foz do Iguaçu prepara nova estratégia para impulsionar turismo de compras e atrair novos investidores

Município aposta em incentivos fiscais, implantação do Tax Free, Escola Nacional de Turismo e estudo inédito sobre o impacto econômico do setor para consolidar um novo ciclo de desenvolvimento

Secretário de Turismo Jin Petrycoski

Foz do Iguaçu está desenhando uma nova estratégia para fortalecer o turismo como principal motor da economia local. O plano reúne incentivos fiscais para novos empreendimentos, a implantação do sistema Tax Free, a atração de empresas ligadas à cadeia produtiva do turismo, investimentos em qualificação profissional e um estudo inédito que medirá, pela primeira vez, o impacto econômico da atividade turística na cidade.

As ações são conduzidas pela Secretaria Municipal de Turismo e fazem parte de um planejamento que busca transformar Foz em um destino ainda mais competitivo, ampliando o tempo de permanência dos visitantes e estimulando novos investimentos privados.

Em entrevista a este portal, o secretário municipal de Turismo, Jin Petrycoski, destacou que, embora Foz do Iguaçu tenha sido a primeira cidade brasileira a receber uma loja duty free, o município enfrenta uma realidade distinta da observada em outras cidades de fronteira. Segundo ele, as particularidades da Tríplice Fronteira exigem uma análise específica para que o setor possa se desenvolver de forma equilibrada, considerando a dinâmica econômica e turística da região.

“O brasileiro já associa naturalmente a região às compras no Paraguai. Isso faz com que os investidores avaliem esse cenário antes de instalar novos empreendimentos em Foz. Nosso papel é criar condições para tornar a cidade cada vez mais atrativa e competitiva”, afirma.

Mesmo diante desse cenário, o secretário revela que empresários do próprio Paraguai já demonstram interesse em expandir seus negócios para Foz do Iguaçu, movimento que reforça o potencial de crescimento do turismo de compras no município.

Leia sobre Free shop em Foz do Iguaçu https://silvanacanal.com.br/index.php/2026/05/05/implantacao-de-industrias-nacionais-poderiam-impulsionar-economia-e-consolidar-foz-como-polo-de-duty-frees/

Para estimular novos investimentos, a Prefeitura aprovou incentivos fiscais destinados a empreendimentos turísticos, incluindo lojas duty free. O benefício prevê descontos progressivos no IPTU durante os primeiros anos de funcionamento das empresas.

“O objetivo é incentivar investimentos que fortaleçam toda a cadeia do turismo. Não estamos pensando apenas nas lojas de compras, mas em todos os segmentos que ajudam a movimentar a economia da cidade”, destaca Petrycoski.

Tax Free pode transformar
Foz em referência nas
compras internacionais

Outra frente considerada estratégica é a implantação do sistema Tax Free, mecanismo utilizado em diversos países que permite a devolução de parte dos impostos pagos por turistas estrangeiros durante suas compras.

A proposta está sendo discutida entre a Secretaria Municipal de Turismo, o Governo do Paraná, economistas e a Secretaria Estadual da Fazenda.

Segundo o secretário, embora exista preocupação com uma possível redução na arrecadação, estudos econômicos mostram justamente o contrário.

“Se o turista permanecer mais tempo em Foz, consumir mais, utilizar hotéis, restaurantes, transporte e atrativos, a cidade arrecada muito mais em toda a cadeia econômica. É isso que estamos demonstrando por meio dos estudos técnicos”, explica.

Para ele, o Tax Free pode representar um divisor de águas para o turismo de compras da cidade, tornando Foz do Iguaçu ainda mais competitiva diante de outros destinos internacionais.

Ao falar sobre o desenvolvimento econômico do município, Petrycoski também faz uma reflexão sobre a nova reforma tributária.

Segundo ele, o novo modelo favorece cidades prestadoras de serviços, como Foz do Iguaçu, já que a arrecadação dos impostos passa a ocorrer onde o produto é consumido e não mais onde é produzido.

Por isso, ele acredita que o município deve priorizar a atração de empresas ligadas diretamente ao turismo.

“Mais do que buscar qualquer indústria, precisamos trazer empresas que produzam aquilo que o turismo consome diariamente. Hoje muitos hotéis, restaurantes e atrativos compram enxovais, móveis, produtos de limpeza, utensílios e diversos equipamentos em outras regiões. Se essas empresas estiverem aqui, esse dinheiro permanece circulando dentro da nossa economia.”

Estudo inédito e Escola
Nacional de Turismo
apontam o futuro do setor

Outro projeto considerado histórico é um amplo estudo sobre o impacto econômico do turismo em Foz do Iguaçu.

O levantamento, que será apresentado ao prefeito nas próximas semanas, reúne indicadores inéditos sobre a influência do turismo na economia local e deverá servir como base para o planejamento das políticas públicas dos próximos anos.

Segundo o secretário, o diagnóstico revela que o município possui um potencial de crescimento ainda maior, mas enfrenta gargalos estruturais que limitam essa expansão.

Leia aqui, como funcionará a Escola Nacional do Turismo em Foz do Iguaçu: https://silvanacanal.com.br/index.php/2026/06/26/escassez-de-mao-de-obra-ameaca-crescimento-do-turismo-em-foz-e-forca-criacao-de-escola-inedita/

“Hoje podemos afirmar que, em muitos aspectos, é a cidade que acaba limitando o crescimento do turismo, e não o contrário. Com informações técnicas será possível planejar investimentos muito mais eficientes e preparar Foz para o futuro.”

Outro desafio identificado pela Secretaria é a falta de mão de obra qualificada. Para enfrentar esse problema, o município articula a implantação da segunda Escola Nacional de Turismo do Brasil. A primeira foi instalada em Belém (PA).

O projeto está sendo desenvolvido em parceria com o Ministério do Turismo, Secretaria Estadual de Turismo e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

A proposta contempla cursos gratuitos para todas as áreas do turismo, desde recepcionistas, garçons, camareiras e atendentes até gestores e profissionais de liderança. A expectativa é oferecer ainda auxílio para transporte e outros incentivos que facilitem o acesso dos alunos.

“O turismo de Foz precisa funcionar durante os doze meses do ano. Reduzindo a sazonalidade, os empresários conseguem manter seus funcionários, investir em qualificação e melhorar os salários. Esse é um ciclo positivo que beneficia toda a cidade”, ressalta.

A expectativa da Secretaria é oficializar a implantação da Escola Nacional de Turismo nos próximos dias, durante visita do ministro do Turismo ao município.

Com a combinação de incentivos fiscais, qualificação profissional, planejamento baseado em dados e novas políticas voltadas ao turismo de compras, Foz do Iguaçu busca consolidar uma nova etapa de desenvolvimento econômico, fortalecendo sua posição como um dos principais destinos turísticos da América do Sul e ampliando os benefícios gerados pelo setor para toda a população.

Texto: Silvana Canal
Fotos: Divulgação Internet

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