Proibição de ônibus de turismo na Ponte da Amizade gera transtornos e revolta em Foz do Iguaçu
O setor de turismo da região foi pego de surpresa pela decisão da Receita Federal e prevê impactos negativos severos na logística e na economia local a partir do dia 19 de janeiro.
A Receita Federal anunciou uma medida que promete alterar drasticamente a rotina da fronteira entre Brasil e Paraguai: a partir do dia 19 de janeiro, o fluxo de ônibus de turismo e fretados será proibido na Ponte Internacional da Amizade. Com a nova norma, esses veículos deverão obrigatoriamente utilizar a recém-inaugurada Ponte da Integração, que conecta Foz do Iguaçu à cidade paraguaia de Presidente Franco. A notícia, no entanto, gerou uma onda de indignação e preocupação no trade turístico iguaçuense, que afirma não ter sido consultado sobre a mudança.
O Secretário de Turismo de Foz do Iguaçu, Jin Petrycoski, manifestou profunda preocupação com o impacto da determinação na dinâmica do destino. Segundo ele, a falta de diálogo prévio foi o ponto mais sensível do anúncio. “Fomos pegos de surpresa com essa informação. O turismo, infelizmente, não foi convidado para discutir sobre os seus impactos. A gente fica receoso, pois impedir o fluxo turístico na Ponte da Amizade vai afetar negativamente o setor. Embora a nova ponte seja um avanço fenomenal para a infraestrutura do nosso destino, impedir o fluxo na Amizade é dar um passo para trás na nossa logística”, afirmou o secretário.
A principal crítica técnica reside no tempo de deslocamento. O trajeto pela Perimetral Leste, que dá acesso à Ponte da Integração, é considerado excessivamente longo para o perfil do turista de compras e passeios rápidos. Petrycoski questiona o planejamento da medida. “Não sei se as pessoas que decidiram já fizeram esse fluxo pela Perimetral; esse trajeto chega a levar mais de uma hora. O turismo ali na ponte é um dos segmentos que mais movimenta a região. Estamos buscando articulações para entender as razões dessa medida e tentar, junto à Polícia Federal e outros órgãos, ao menos flexibilizar essa atuação”, pontuou Jin.
A mobilização agora é geral. O trade turístico de Foz do Iguaçu está unido a entidades como a Câmara de Comércio de Ciudad del Este para tentar reverter ou modificar a regulamentação antes do prazo fatal de 19 de janeiro. O objetivo é levar o pleito ao Ministério das Relações Exteriores e à cúpula da Polícia Federal. “O trade vai estar unido buscando alternativas e mostrando os impactos negativos. Como representante do Turismo, vou fazer a linha de frente para tentar mudar essa regulamentação da melhor maneira possível. A Ponte da Integração veio para unir os povos e não para separar ou prejudicar setores. O turismo precisa da Ponte da Amizade”, concluiu Petrycoski.
Em entrevista à rádio Jovem Pan News na manhã desta terça-feira (13), o chefe da delegacia da Receita Federal, delegado Cesar Viana, detalhou a decisão de restringir o trânsito de ônibus fretados de turismo pela Ponte da Amizade. Segundo Viana, a medida foi consolidada por uma Comissão Bilateral ainda em novembro de 2025, envolvendo autoridades de diversos setores econômicos do Brasil e do Paraguai.
No encontro, ficou definido que o fluxo de veículos pesados será concentrado em uma janela de 12 horas diárias, especificamente das 19h às 7h. “A proposta foi aceita pela delegação do Brasil e nós seguimos, neste momento, com o horário anunciado, que será aplicado a partir do dia 19 de janeiro”, confirmou o delegado, reforçando o cumprimento do cronograma estabelecido internacionalmente.
O delegado Celso Viana reforça que a saturação da Ponte da Amizade exige a descentralização de fluxos para evitar o colapso logístico na fronteira. Para ele, a estratégia busca preservar a eficiência do novo acesso: “Não queremos transformar a Ponte da Integração em uma nova Ponte da Amizade; as tratativas são graduais para que não tenhamos dois pontos de acesso caóticos”, afirmou Viana, destacando que a organização do tráfego já trouxe melhorias visíveis com a retirada dos caminhões vazios.
Redação: Silvana Canal MKT
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