Minha trajetória no turismo: das redações à construção da imagem de Foz do Iguaçu
No Dia Mundial do Turismo, relembro como comecei a escrever sobre este setor em 2003 e nunca mais deixei de acreditar no seu potencial transformador
Quando olho para trás, percebo que minha história se confunde com a do turismo em Foz do Iguaçu. Fui uma das precursoras a me especializar nesse setor, por volta do ano de 1998, quando escrevia e editava o caderno de Cultura e Turismo do então jornal Gazeta do Iguaçu.
Uma viagem ao Chile mudou minha vida profissional. Ao escrever uma reportagem sobre a economia e o turismo de Iquique, descobri que esse setor era um mundo dentro do nosso mundo — e que eu poderia viajar através dos meus textos.
Naquela época, a tecnologia ainda engatinhava. A internet era discada, não existiam redes sociais e a comunicação era muito mais braçal. Para convidar grupos de jornalistas, para visitar Foz do Iguaçu, ou participar da apresentação de marketing nas cidades onde estávamos trabalhando, eu usava o telefone, o correio eletrônico (quando funcionava) ou simplesmente ia pessoalmente às redações. Muitas vezes, as chamadas não se completavam, os e-mails não eram abertos e os colegas sequer sabiam onde ficava Foz do Iguaçu.
Mesmo assim, nunca desisti. “Levei muitos não na cara”, como costumo dizer, especialmente nas viagens de marketing que o Destino Iguaçu promovia em dezenas de cidades do Mercosul. Com a lista telefônica em mãos, eu batia de redação em redação para apresentar nossos atrativos. Foram anos de persistência e de acreditar que nossa cidade merecia mais visibilidade.
Em 2006, vivi um marco da minha carreira ao participar do nascimento do Plano de Gestão Integrada. Recebi o convite para ser assessora de imprensa e me senti parte de um novo ciclo do turismo local. Desde então, acompanhei de perto o salto histórico no número de visitantes: de menos 500 mil por ano para quase dois milhões atualmente.
Vi hotéis sendo reformados, resorts sendo construídos, novos atrativos sendo implantados, voos nacionais e internacionais conectando Foz ao mundo e a gastronomia local conquistando paladares. Também testemunhei a integração da Tríplice Fronteira se consolidar como uma identidade única para o turismo.
Transitei por todos os segmentos: atuei em hotéis, restaurantes, atrativos, grandes eventos nacionais e internacionais. Minha experiência ultrapassou fronteiras, com projetos e parcerias também no Paraguai, Argentina e outras cidades brasileiras. Participei de road shows, feiras e encontros que ajudaram a posicionar Foz do Iguaçu como destino turístico de relevância no Mercosul e no mundo.
Ausências de casa: coração de mãe acelerado
Passei dias, semanas longe de casa, viajando por cidades e países onde a estratégia de marketing indicava potencial para divulgar os atrativos e serviços de Foz do Iguaçu. Foi um tempo de muita entrega e dedicação, em que precisei contar com a compreensão das minhas duas filhas, ainda crianças na época. Nunca me arrependi: cada ausência se transformou em ensinamento, cada esforço construiu uma base sólida entre nós. Hoje, elas me retribuem com carinho e respeito, porque entendem que eu estava realizando um sonho — e reconhecem a força da mulher e da mãe que nunca deixou de acreditar no turismo e no futuro.
Hoje, no Dia Mundial do Turismo, celebro essa trajetória com orgulho. Porque cada texto que escrevi, cada evento que organizei e cada jornalista que conheci contribuíram para fortalecer o destino que é, sem dúvida, um dos mais encantadores do mundo.
LEGENDA: Acredito que esta foto de capa foi tirada pelo meu colega Robson Meireles, durante uma reunião do COMTUR, no ano 2000.
