SAF avança na aviação europeia, mas custo e dependência de matérias-primas desafiam expansão

Combustível sustentável de aviação supera meta inicial da União Europeia e reduz emissões, enquanto setor se prepara para ampliar a produção até 2050

A aviação europeia avançou na adoção de combustíveis sustentáveis em 2025, mas ainda enfrenta desafios para ampliar o uso dessa alternativa ao querosene convencional. Dados da Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) mostram que o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) representou 2,8% do combustível fornecido nos aeroportos do bloco, superando a meta mínima de 2% estabelecida pelo programa ReFuelEU Aviation.

O SAF é um combustível alternativo ao querosene tradicional, produzido a partir de matérias-primas como óleo de cozinha usado, resíduos orgânicos e outras fontes renováveis. Dependendo da tecnologia e da origem dos insumos, também pode ser fabricado por meio de processos sintéticos que utilizam hidrogênio e carbono. Sua principal finalidade é reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida do combustível, contribuindo para a descarbonização da aviação.

Durante 2025, os aeroportos europeus receberam 39,3 milhões de toneladas de combustível de aviação, sendo aproximadamente 1,1 milhão de toneladas de SAF. O volume representa quase seis vezes o registrado no ano anterior, quando foram fornecidas 193 mil toneladas.

O crescimento ocorre em meio às metas progressivas do ReFuelEU Aviation, que prevê participação mínima de 6% de SAF em 2030 e de pelo menos 70% em 2050. O programa também estabelece objetivos específicos para combustíveis sustentáveis sintéticos a partir de 2030.

A distribuição do combustível alcançou 121 aeroportos em 27 países, equivalentes a 79% dos terminais monitorados. Apesar da expansão, a oferta permanece concentrada. Países Baixos, Espanha, Alemanha, Itália e França respondem, juntos, por cerca de 74% do SAF fornecido, com os Países Baixos liderando, com 29%.

Embora 86% do combustível tenha sido produzido dentro da União Europeia, a maior parte das matérias-primas veio do exterior. O óleo de cozinha usado representou 80% dos insumos, enquanto a China foi a principal origem dos materiais importados, com 61%, seguida por Malásia e Indonésia.

O uso de SAF em 2025 proporcionou uma redução estimada de 3,77 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. A diminuição média das emissões ao longo do ciclo de vida chegou a aproximadamente 89%, indicador que considera as etapas de produção, transporte e utilização do combustível.

O preço, porém, continua sendo um dos principais obstáculos à expansão. Segundo a EASA, o valor médio de referência do SAF foi de €1.925 por tonelada, quase três vezes o custo do querosene convencional, estimado em €640. Para estimular a adoção, a União Europeia disponibiliza mecanismos financeiros, incluindo permissões do EU ETS avaliadas em cerca de €1,6 bilhão.

A capacidade produtiva também está no centro das discussões. A EASA avalia que a produção europeia atual está alinhada às metas de 2030 e pode atingir 5,5 milhões de toneladas anuais caso os projetos em desenvolvimento sejam concretizados.

Já os combustíveis sintéticos ainda estão em fase inicial, com unidades-piloto em operação e aproximadamente 50 projetos aguardando decisões de investimento. O avanço dessas tecnologias será determinante para ampliar as alternativas de descarbonização do transporte aéreo nas próximas décadas.

Redação com agência
Foto: Divulgação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *