Receita Federal planeja transformar Foz do Iguaçu em referência em inovação aduaneira
Plano prevê implantação de tecnologias, automação e gestão de riscos para criar modelo de fronteira inteligente na região
A Receita Federal pretende transformar Foz do Iguaçu em um laboratório nacional de inovação aduaneira terrestre. A proposta integra o plano de gestão da Alfândega do município para o período de 2026 a 2028 e prevê a adoção de novas tecnologias, automação, gestão de riscos e integração entre instituições para modernizar os procedimentos de fiscalização na fronteira.
A primeira etapa do projeto deve começar em outubro, com testes de novas soluções tecnológicas no fluxo de pedestres da fronteira. Segundo o delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Marcelo Mossi Vendramini, as tratativas com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) estão em estágio avançado. A intenção é validar ferramentas que permitam agilizar a passagem de pessoas sem reduzir a capacidade de controle e fiscalização.
O projeto prevê a construção de um modelo de “fronteira inteligente”, no qual o uso de tecnologia e inteligência será combinado à análise de riscos. A estratégia busca concentrar a fiscalização em situações consideradas de maior risco, enquanto procedimentos de menor complexidade poderão ser automatizados, contribuindo para reduzir filas e tornar o fluxo fronteiriço mais eficiente.
A proposta também prevê maior integração entre os diferentes pontos de controle e entre os órgãos que atuam na região de fronteira. A experiência desenvolvida em Foz poderá servir posteriormente como referência para outras aduanas terrestres brasileiras.
De acordo com a Receita Federal, a modernização não se limita à implantação de equipamentos e sistemas. O planejamento para os próximos três anos também prevê ações relacionadas à conformidade, gestão de riscos, integração institucional e valorização dos servidores que atuam nas operações aduaneiras.
Os testes previstos para outubro representam, portanto, uma das primeiras etapas para colocar em prática o novo modelo. Inicialmente, a tecnologia será avaliada no fluxo de pedestres, permitindo que os procedimentos sejam ajustados antes de uma eventual ampliação para outros setores da operação aduaneira.
A iniciativa reforça o papel estratégico de Foz do Iguaçu no controle do comércio e da circulação de pessoas na fronteira com o Paraguai. A expectativa da Receita Federal é utilizar as características e o volume de operações da região para desenvolver e testar soluções que possam ser aplicadas em outras fronteiras do país.
Texto: Maria Vitória de Moura.
Foto: Divulgação
