Turismo como política de Estado ganha força com agenda nacional para o período de 2027 a 2030
Documento elaborado pela CNC reúne propostas para transformar o turismo em vetor permanente de desenvolvimento econômico, geração de empregos e competitividade dos destinos brasileiros
O turismo brasileiro deu mais um passo na busca por políticas públicas permanentes e estruturadas. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por meio do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), entregou aos candidatos à Presidência da República o documento “Políticas Públicas de Turismo – Propostas e Recomendações”, que reúne diretrizes para orientar o desenvolvimento do setor entre 2027 e 2030.
A iniciativa integra o programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro, lançado em 2021, com o propósito de fortalecer o turismo como um dos principais motores da economia brasileira após a pandemia. Desde então, o movimento mobilizou centenas de entidades e especialistas em todos os estados brasileiros para construir uma agenda nacional baseada nas necessidades e potencialidades de cada região.
Segundo o diretor da CNC responsável pelo programa, Alexandre Sampaio, o maior desafio do turismo brasileiro continua sendo consolidar políticas públicas capazes de garantir planejamento de longo prazo. “O turismo tem que ser tratado como política de Estado”, afirma. Para ele, esse reconhecimento permitirá ampliar a competitividade dos destinos, fortalecer a segurança jurídica, atrair investimentos e impulsionar a geração de emprego e renda.
Construção coletiva para orientar os próximos governos
O documento entregue aos presidenciáveis é resultado de um amplo processo de diálogo entre representantes do poder público, da iniciativa privada, entidades do setor e especialistas. A proposta é oferecer uma agenda estruturada que permita ao próximo governo federal desenvolver políticas capazes de posicionar o turismo como ferramenta estratégica para o crescimento econômico, a integração regional e o desenvolvimento sustentável.
Na apresentação do documento, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, destacou que fortalecer o turismo significa ampliar oportunidades de negócios, incentivar pequenos empreendimentos, preservar patrimônios culturais e ambientais e aumentar a competitividade do Brasil no mercado internacional.
De acordo com a CNC, o programa Vai Turismo tornou-se uma das maiores iniciativas de mobilização institucional voltadas ao setor, transformando demandas do mercado em propostas concretas para qualificação profissional, melhoria dos serviços, fortalecimento da governança e ampliação da competitividade dos destinos turísticos.
Mobilização nacional fortaleceu a governança do turismo
O primeiro ciclo do programa, desenvolvido entre 2022 e 2026, reuniu cerca de 1.800 profissionais, 320 instituições e representantes das 27 unidades da Federação. O trabalho resultou na elaboração de 28 documentos com 359 propostas de políticas públicas destinadas aos governos estaduais e ao governo federal.
Para o novo ciclo, que abrange o período de 2027 a 2030, o processo foi ampliado. Foram realizadas 55 oficinas em todo o país, envolvendo aproximadamente 1.373 representantes dos setores público e privado e cerca de 830 instituições, incorporando experiências regionais e um banco nacional de boas práticas.
A gerente do Cetur, Aline Lopes, explica que o documento reflete uma construção coletiva baseada nas diferentes realidades brasileiras. Segundo ela, embora cada estado tenha desafios específicos, todas as propostas convergem para um objetivo comum: tornar o turismo nacional mais competitivo, inovador, sustentável e preparado para os desafios futuros.
Planejamento de longo prazo
Entre os principais avanços apontados pelo programa está o fortalecimento da governança do turismo nos estados, promovendo maior integração entre governos, empresários e entidades representativas.
Para Alexandre Sampaio, essa articulação ajuda a reduzir os impactos provocados pelas frequentes mudanças administrativas que historicamente dificultam a continuidade das políticas públicas do setor. Em pouco mais de duas décadas, por exemplo, o Ministério do Turismo teve 20 titulares diferentes, cenário que compromete o planejamento de longo prazo.
“O Vai Turismo ajudou a inserir o turismo nos planos de governo e nas agendas estratégicas dos estados. O desenvolvimento sustentável da atividade depende da atuação integrada entre os setores público e privado”, destaca o dirigente.
Dados fortalecem decisões e desenvolvimento regional
Outro legado destacado pela CNC é a criação de uma base nacional de informações sobre o turismo brasileiro. A sistematização de dados permite comparar indicadores entre estados, identificar desafios comuns e estimular ações conjuntas entre diferentes regiões.
Segundo Aline Lopes, esse monitoramento contínuo fortalece a inteligência territorial, otimiza investimentos públicos e privados e permite avaliar os impactos das políticas na competitividade dos destinos, na geração de empregos, na distribuição de renda e na qualidade de vida da população.
Ao consolidar propostas construídas de forma colaborativa em todo o país, o programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro busca transformar o turismo em uma política de Estado, capaz de garantir continuidade às ações, independentemente das mudanças de governo, e ampliar o papel do setor como indutor do desenvolvimento econômico e social do Brasil.
