Turismo de lazer impulsiona Foz, mas pesquisa revela desafios para transformar visitantes em promotores do destino
Estudo inédito com 770 turistas mostra que férias em família seguem como principal motivação para visitar Foz do Iguaçu. Ao mesmo tempo, aponta oportunidades para ampliar o tempo de permanência, melhorar a mobilidade urbana e fortalecer a experiência do visitante.
Foz do Iguaçu continua consolidada como um dos principais destinos turísticos do Brasil, atraindo visitantes de diferentes regiões do país e do exterior. O novo Relatório de Pesquisa de Demanda Turística, elaborado pelo Itaipu Parquetec, revela que a cidade mantém forte poder de atração, especialmente para viagens de lazer em família, mas também evidencia desafios que precisam ser enfrentados para tornar a experiência do turista ainda mais completa.
O levantamento, realizado em março de 2026, mostra que o ecoturismo segue sendo o principal motor da visitação, tendo as Cataratas do Iguaçu como grande protagonista. Ao mesmo tempo, reforça o peso do turismo de compras e da integração com Paraguai e Argentina, características que diferenciam Foz de outros destinos brasileiros.
Mais do que apresentar números, a pesquisa traça um retrato detalhado do comportamento do visitante, revelando quem são os turistas, de onde vêm, como organizam suas viagens e quais aspectos ainda precisam evoluir para elevar a competitividade do destino.
Pesquisa ouviu 770 turistas em seis pontos estratégicos
A pesquisa foi realizada presencialmente durante o mês de março de 2026 e entrevistou 770 turistas brasileiros e estrangeiros em locais de grande circulação, como o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, Rodoviária Internacional, Cataratas do Iguaçu, Pontes da Amizade e da Fraternidade e o posto da Polícia Rodoviária Federal em Santa Terezinha de Itaipu.
O número de entrevistas superou a amostra inicialmente prevista, garantindo um nível de confiança de 95% e margem de erro de 4%, considerada bastante robusta para estudos de demanda turística. O objetivo foi compreender não apenas o perfil do visitante, mas também sua experiência no destino, seus hábitos de consumo e seu nível de satisfação.
Mulher, casada, entre 32 e 50 anos e viajando em família
A pesquisa mostra que o turista que visitou Foz do Iguaçu em março possui um perfil bastante definido.
As mulheres representaram 54% dos entrevistados, enquanto a faixa etária predominante ficou entre 32 e 50 anos, reunindo praticamente metade da amostra (47,7%). A maioria é casada (54%) e viaja acompanhada da família (40,8%), perfil que reforça o posicionamento do destino como um local voltado para experiências compartilhadas.
Outro dado relevante é o poder de consumo desse público. A maior concentração está entre famílias com renda de três a cinco salários mínimos, seguida da faixa entre cinco e dez salários mínimos. Segundo o estudo, trata-se de um visitante com capacidade de consumo intermediária a elevada, compatível com viagens planejadas e realizadas em grupo familiar.
Lazer continua sendo a grande motivação
Poucos destinos brasileiros apresentam uma vocação turística tão clara quanto Foz do Iguaçu.
Entre todos os entrevistados, 67% afirmaram que viajaram motivados por férias ou lazer. Negócios, eventos e compras aparecem empatados, cada um representando 11% das respostas. As visitas a familiares e amigos correspondem a 7%, enquanto o turismo de passagem soma apenas 3%.
Na avaliação dos pesquisadores, esse comportamento aproxima março de um padrão normalmente observado na alta temporada. Embora o mês tradicionalmente esteja fora do período de férias escolares, o fluxo registrado apresenta características semelhantes às observadas entre dezembro e janeiro, quando predominam viagens familiares e de lazer.
Mercado regional ganha força
Embora Foz mantenha seu reconhecimento internacional, os brasileiros continuam formando a maior parcela dos visitantes.
Eles representam 75,4% dos turistas entrevistados. Entre os estrangeiros, o levantamento identifica oscilações nos mercados tradicionais, como Argentina e Paraguai, enquanto outros países considerados emergentes apresentaram crescimento discreto.
No mercado doméstico, o estudo confirma uma tendência importante: Paraná, São Paulo e Santa Catarina seguem liderando a emissão de turistas para Foz do Iguaçu.
Segundo a análise técnica, esse movimento reforça o papel estratégico do turismo regional, impulsionado principalmente pela proximidade geográfica, facilidade de acesso e menor custo de deslocamento.
Para os pesquisadores, essa base regional ajuda a sustentar o fluxo turístico durante praticamente todo o ano, reduzindo os efeitos da sazonalidade.
Um destino que conquista novos visitantes e fideliza quem já conhece
Outro indicador chama atenção: Foz do Iguaçu consegue, ao mesmo tempo, atrair novos turistas e manter um elevado índice de retorno.
Quase 42% dos entrevistados estavam conhecendo o destino pela primeira vez. Por outro lado, 58,1% já haviam visitado a cidade anteriormente.
Para os responsáveis pelo estudo, esse equilíbrio demonstra que o destino consegue renovar continuamente sua demanda sem perder sua capacidade de fidelização.
A experiência anterior, inclusive, aparece como o principal fator de decisão para retornar. Cerca de 33,9% afirmaram que escolheram Foz porque já conheciam o destino.
As recomendações de amigos e familiares aparecem logo em seguida, mostrando a força do chamado marketing espontâneo, enquanto as redes sociais consolidam sua importância como ferramenta de inspiração para novas viagens.
Rodovias seguem liderando os acessos
O estudo também revela uma característica marcante da mobilidade turística.
Quase metade dos visitantes (49,9%) chegou a Foz do Iguaçu utilizando transporte rodoviário, percentual que reforça o peso do turismo de proximidade.
Ao mesmo tempo, o transporte aéreo mantém papel fundamental para atrair turistas provenientes de estados mais distantes, mostrando que Foz combina dois mercados importantes: o regional, sustentado pelas rodovias, e o nacional, impulsionado pela conectividade aérea.
Essa combinação contribui para manter um fluxo relativamente estável ao longo do ano e amplia o alcance do destino no mercado brasileiro.
Um retrato para orientar o futuro
Mais do que fotografar o turismo de março, a pesquisa oferece um importante instrumento de planejamento para o setor.
Ao identificar quem visita Foz do Iguaçu, como organiza sua viagem e quais fatores influenciam sua decisão, o levantamento fornece informações estratégicas para o poder público, atrativos, hotéis, restaurantes, agências de viagens e demais empresas do segmento.
Os resultados também mostram que o destino possui uma base sólida de visitantes fiéis, forte apelo junto às famílias e capacidade de atrair novos públicos, atributos que mantêm Foz entre os principais polos turísticos da América do Sul.
Texto: Silvana Canal
Foto: Divulgação Foz
