Restauro do elevador de Vila Velha atinge marca de 50% e promete revolucionar o turismo nos Campos Gerais

Desativado há 25 anos, equipamento único no Brasil entra em fase decisiva de obras com previsão de ampliar em até 50% o fluxo de visitantes no parque estadual

O Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, vive um momento histórico de resgate e inovação. O ambicioso projeto de restauro do seu icônico elevador — que, tecnicamente, é um teleférico vertical — alcançou a marca de 50% de execução. A obra não é apenas uma reforma estrutural, mas uma peça-chave na estratégia de fortalecimento do turismo paranaense, com a promessa de levar o visitante a uma profundidade de 50 metros até a base da furna, oferecendo uma imersão inédita na natureza.

A complexidade do projeto é um dos grandes desafios da engenharia nacional. Por ter sido desativado há cerca de 25 anos, a ausência de plantas originais exigiu um trabalho minucioso de reconstrução detalhada. O diretor técnico da obra, Leandro Forbeck, explica que a estrutura é uma raridade tecnológica no país. “Trata-se de um teleférico vertical, pelas suas características, como ausência de guias rígidas e presença de contrapesos. É um sistema único no Brasil. É um projeto muito técnico e desafiador, principalmente pelas características do relevo e do ambiente. Cada etapa precisa ser extremamente planejada”, destaca Forbeck.

Turismo como eixo de desenvolvimento regional

A reativação do equipamento é vista como um divisor de águas para Ponta Grossa e região. Atualmente, o parque recebe mais de 80 mil pessoas anualmente, mas a expectativa é que esse número salte para 120 mil com a nova atração. O investimento integra um pacote de mais de R$ 20 milhões liderado pela Soul Parques, concessionária formada por sócios do Grupo Cataratas, que já transformou a infraestrutura local para suportar até 4,8 mil visitantes diários.

Para Leandro Ribas, gestor da Soul Parques, o impacto econômico será sentido em toda a cadeia produtiva dos Campos Gerais. “Quando falamos de turismo, falamos de toda a região. O elevador será mais um atrativo para aumentar o tempo de permanência do visitante e incentivar novas viagens para Ponta Grossa. A ideia é que o visitante amplie sua permanência e retorne à região, fortalecendo toda a cadeia do turismo”, afirma Ribas.

Equilíbrio entre engenharia e preservação ambiental

Por estar inserida em uma unidade de conservação de proteção integral, a obra segue protocolos ambientais rigorosos. O monitoramento é constante para garantir que o ruído e a presença humana não interfiram no ciclo de vida da fauna local, especialmente dos andorinhões, aves que utilizam as furnas como abrigo natural.

O biólogo Guilherme Vasconcelos, responsável pela consultoria ambiental, reforça que o cronograma respeita a vida selvagem. “As atividades respeitam o ciclo dessas aves, garantindo o mínimo impacto no habitat”, explica. Além da tecnologia, o parque também se integra à cultura, mantendo parcerias como o projeto “MON sem Paredes”, em conjunto com o Museu Oscar Niemeyer.

Com a conclusão da metade do cronograma, a contagem regressiva para a inauguração já começou. A previsão é que o novo elevador entre em operação em outubro de 2026, unindo preservação histórica, inovação tecnológica e um novo fôlego econômico para o turismo no Sul do Brasil.

Texto: Silvana Canal com portal BNT

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