Descubra histórias e memórias caminhando pelas ruas de Foz do Iguaçu
Roteiro a pé resgata memórias dos pioneiros e apresenta uma Foz do Iguaçu surpreendente para locais e visitantes
Foz do Iguaçu é, sem dúvida, um dos lugares mais espetaculares do planeta. Onde mais você encontraria, em um único endereço, as maiores quedas d’água do mundo — que ganharam o título de uma das Sete Maravilhas da Natureza — e a grandiosidade de Itaipu, considerada uma maravilha da engenharia humana e somente aqui, o mapa se desenha de forma mágica, unindo três cidades de três países diferentes para formar o vibrante Destino Iguaçu.



É um universo onde as Cataratas rugem, as aves encantam no Parque das Aves e o paladar se perde entre o melhor bife de chouriço, empanadas artesanais e o tradicional mate argentino, além da cidade paraguaia que atrai compradores de eletroeletrônicos de todos os lados. Mas, entre o agito dos centros comerciais gigantes e o brilho dos luxuosos duty frees, existe uma Foz do Iguaçu que pulsa em um ritmo mais íntimo e fascinante.
O despertar da Foz pioneira
É a Foz dos pioneiros, das construções históricas e das memórias que o asfalto moderno tenta esconder. E a melhor maneira de descobrir esse tesouro é a pé, através do walking tour conduzido pela agência Lets Go Iguassu, um passeio que promete encantar quem busca conexão real com o destino. Nesta caminhada guiada, o visitante deixa de ser apenas um espectador para se tornar um viajante no tempo. Ao percorrer as ruas centrais, histórias de coragem e segredos da fundação iguaçuense ganham vida em cada fachada antiga.
“É um mergulho profundo que revela detalhes arquitetônicos e curiosidades que passam despercebidos na pressa do dia a dia. A caminhada convida a desacelerar e observar a identidade de um povo construída na união de culturas”, conta Diogo Marcel, da Lets Go Iguassu.
Recentemente, tive o privilégio de participar de um grupo misto, unindo moradores locais e turistas estrangeiros, para percorrer este roteiro. O formato é encantador e democrático: o passeio não tem um custo fixo; ao final, cada visitante contribui com o guia de turismo de forma livre, valorizando o conhecimento compartilhado. O grupo doi composto por Renata Sakamoto, Alessandra Bussador, Miguel Diogenes Matrakas, Mariangela Luckmann, Celso Luckmann, Dagmar Pedrozo e o Diogo que nos guiou.
Relíquias do nosso coração cívico



Nosso ponto de encontro foi em frente ao restaurante Hokai, na Avenida Jorge Schimmelfeng. Ali, entre o aroma da gastronomia e o movimento da cidade, a história começou a brotar. O nome da avenida homenageia o primeiro prefeito da nossa antiga “Vila Iguaçu”, que governou entre 1914 e 1924. Olhando ao redor, percebemos casas daquela época que ainda resistem bravamente, preservando a memória da nossa emancipação.
Seguindo o passo, chegamos ao Colégio Estadual Bartolomeu Mitre e sua praça, que é mais moderna. Inaugurado em 1928, ele é a instituição de ensino mais antiga da cidade. É emocionante pensar em quantas gerações de iguaçuenses cruzaram aqueles portais. O nome, uma homenagem a um militar argentino que protegeu nossa fronteira, já nos dá a primeira pista da nossa identidade: somos, desde o berço, uma mistura de nações e respeito mútuo. O cruzamento da Avenida Brasil com a Jorge Schimmelfeng é o que podemos chamar de coração cívico de Foz. Passamos pela primeira sede do Banco do Brasil, pela imponente Igreja São João Batista e pela antiga Câmara Municipal, que hoje pulsa como um centro de artes.
Do cassino de luxo às águas do Paraná
Na Praça Getúlio Vargas, mergulhamos na influência da política nacional e na rica tapeçaria de etnias, religiões e culturas. Mas um dos momentos mais marcantes foi parar diante do prédio do Senac. Localizado na Rua João Rouver, ele nasceu como o luxuoso Hotel Cassino Iguaçu, entre 1937 e 1940. Imaginem que, naqueles corredores, Getúlio Vargas se hospedou e, anos depois, Juscelino Kubitschek assinou o acordo para a construção da Ponte da Amizade, com o presidente paraguaio da época, Alfredo Stroessner. A caminhada nos levou também à Praça Almirante Tamandaré, onde conferimos prédios históricos ainda utilizados pela Marinha.
O que realmente surpreendeu o grupo foi o trajeto em direção às margens do Rio Paraná. Caminhar pela mata ciliar até a rampa da Marinha é sentir a força da fronteira natural com o Paraguai. Ali, encontramos nascentes, muitas espécies de plantas e árvores, além de presenciar moradores buscando água pura que sai de uma bica encravada na rocha. Também a história do Sr. Popai, um pioneiro autêntico que nos oferece a chance de provar um peixe da região enquanto o sol se despede. O entardecer nas margens do segundo maior rio do Brasil é um espetáculo à parte.
O roteiro reserva um final artístico na Praça da Paz. Diante do monumental painel de mosaicos de do artista Miguel Hachen, com seus 165 metros quadrados de arte neoguarani, mergulhamos na lenda de Naipi e Tarobá. As cores da fauna e flora do Parque Nacional ganham vida nas pedras, encerrando o passeio com a alma lavada.
Se você quer sentir o verdadeiro pulsar de Foz, coloque um calçado confortável e faça este passeio. A cidade tem muito mais para contar do que você imagina.
Para agendar o passeio
Site: https://iguassuwalkingtour.com/about-us/
Texto: Silvana Canal
Fotos: Colaboração
