Infraestrutura e tecnologia moldam o futuro da hotelaria de Foz do Iguaçu

Em entrevista, Fernando Rodrigues Dias, presidente do Sindhotéis, detalha como a cidade se tornou um hub de investimentos e se adaptou à era do trabalho remoto

Foz do Iguaçu não é mais apenas o destino das águas abundantes e da natureza exuberante. A cidade atravessa o que especialistas e lideranças chamam de ciclo virtuoso, onde o concreto das novas pontes e a velocidade da fibra óptica se fundem para criar um novo patamar de hospitalidade. Para Fernando Rodrigues Dias, presidente do Sindhotéis Foz do Iguaçu, o momento é de colher os frutos de um planejamento estratégico que une o poder público e a iniciativa privada.

O cenário urbano de Foz está mudando. A Ponte da Integração Brasil-Paraguai e a duplicação da Rodovia das Cataratas são mais que obras de engenharia; são artérias que bombeiam um novo volume de visitantes para o coração do Mercosul. Segundo Rodrigues Dias, o impacto na rede hoteleira é direto e encorajador. “Foz do Iguaçu está, de fato, em um ciclo virtuoso de desenvolvimento. Essas obras são fundamentais para a expansão da capacidade de recepção de turistas, tanto no segmento de lazer quanto no de negócios”, afirma o presidente.

Essa nova infraestrutura está servindo de chamariz para grandes investidores. A projeção é que a ocupação média, que já apresenta números sólidos, atinja picos que justifiquem a chegada de novas bandeiras internacionais. Fernando explica que a hotelaria local não está apenas esperando a demanda chegar, mas se modernizando para recebê-la: “A expectativa é que o fluxo de turistas cresça de forma exponencial, gerando uma demanda que incentivará novos investimentos e a modernização dos empreendimentos atuais para atender a um público cada vez mais exigente”.

Turismo de negócios e lazer

A pandemia transformou o modo como trabalhamos, e o setor hoteleiro de Foz foi rápido em ler essa mudança. O conceito de anywhere office (trabalhar de qualquer lugar) trouxe um novo perfil de hóspede: aquele que precisa de uma cadeira ergonômica tanto quanto precisa de um bom café da manhã.

Os apartamentos deixaram de ser apenas locais de pernoite para se tornarem escritórios temporários de alta performance. Fernando observa que essa tendência gerou o crescimento do bleisure — a mistura de negócios (business) com lazer (leisure). “Observamos que a média de permanência do turista de negócios tem se aproximado da do turista de lazer. Enquanto o de lazer costuma ficar de 3 a 4 dias, o de negócios, que antes permanecia apenas 1 ou 2 dias, agora estende sua estada para 2 a 3 dias”, revela.

Essa mudança de comportamento reflete-se nas áreas comuns dos hotéis, que agora contam com espaços de coworking e tecnologia de ponta para eventos híbridos.

Conectividade na Fronteira

Para um destino que recebe congressos mundiais, o Wi-Fi não é um “mimo”, é um item de primeira necessidade. Fernando reconhece que estar em uma região de fronteira traz desafios técnicos, mas garante que o parque hoteleiro está pronto para o hóspede que nunca desliga. “O parque hoteleiro tem investido maciçamente em infraestrutura tecnológica. A oferta de Wi-Fi de alta velocidade, com redundância de links e cobertura total, é hoje um padrão no setor”, destaca o líder do Sindhotéis.

O futuro próximo aponta para a implementação definitiva do 5G e parcerias com operadoras para eliminar zonas de sombra causadas pela proximidade com Argentina e Paraguai, garantindo que a conectividade seja constante e ininterrupta.

O lado humano: qualificação em ritmo de urgência

Apesar do otimismo com os tijolos e a tecnologia, Fernando Rodrigues Dias mantém os pés no chão quando o assunto é o maior patrimônio da hotelaria: as pessoas. Com o crescimento acelerado, o maior desafio do Sindhotéis hoje não é atrair turistas, mas sim qualificar quem os atende. “O principal desafio é garantir que o crescimento da oferta de leitos seja acompanhado pela qualificação da mão de obra local. A escassez de profissionais qualificados afeta a hotelaria e nos impulsiona a repensar estratégias de retenção de talentos”, pontua.

Para fechar o hiato entre a expansão das vagas e a competência técnica, o Sindhotéis tem intensificado parcerias com o Instituto de Hotelaria, Gastronomia e Turismo (IHGT). O foco está em formar profissionais completos, capazes de lidar com a sofisticação que o Novo Destino Iguaçu exige.

Para Fernando, a receita do sucesso é clara: “Acreditamos que o investimento na formação de pessoas é o caminho para garantir a sustentabilidade do nosso crescimento e a manutenção da qualidade dos serviços que nos tornaram um destino de referência mundial”.

Texto: Silvana Canal


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