{"id":9984,"date":"2022-03-09T21:27:14","date_gmt":"2022-03-10T00:27:14","guid":{"rendered":"https:\/\/silvanacanal.wordpress.com\/?p=9984"},"modified":"2022-03-09T21:27:14","modified_gmt":"2022-03-10T00:27:14","slug":"pesquisa-busca-resgatar-historia-da-primeira-medica-da-triplice-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/2022\/03\/09\/pesquisa-busca-resgatar-historia-da-primeira-medica-da-triplice-fronteira\/","title":{"rendered":"Pesquisa busca resgatar hist\u00f3ria da primeira m\u00e9dica da Tr\u00edplice Fronteira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Marta Teodora Schwarz chegou a Puerto Iguaz\u00fa em 1949 para construir um legado de sa\u00fade e cuidados<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Ela nasceu em um 8 de mar\u00e7o e foi protagonista de uma hist\u00f3ria de for\u00e7a e coragem na Tr\u00edplice Fronteira. Marta Teodora Schwarz chegou a Puerto Iguaz\u00fa em 1949 para se tornar a primeira m\u00e9dica da regi\u00e3o e, mais que isso, para ser o \u201c\u00c1ngel de la Selva\u201d. Hoje, o <strong>hospital de Puerto Iguaz\u00fa<\/strong> leva seu nome e a casa onde morou se transformou em um museu. Mas, para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o da fronteira, Marta Schwarz segue invisibilizada. Para dar visibilidade a esta importante personagem, pesquisadoras da UNILA est\u00e3o iniciando um projeto que pretende recuperar sua trajet\u00f3ria hist\u00f3rica e protagonismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Ela tem uma biografia fant\u00e1stica. Fiquei envolvida desde que conheci a trajet\u00f3ria dela, fiquei muito impactada. Marta tem um pioneirismo muito grande na regi\u00e3o num momento em que era muito dif\u00edcil para as mulheres exercer a medicina\u201d, comenta a<strong> historiadora e coordenadora do Observat\u00f3rio de G\u00eanero e Diversidade na Am\u00e9rica Latina e Caribe, Cleusa Gomes<\/strong>. Ela divide a coordena\u00e7\u00e3o da pesquisa com Jorgelina Tallei, que tem forma\u00e7\u00e3o em Letras e \u00e9 docente de espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A pesquisa faz parte do projeto \u201cBiograf\u00edas interculturales de frontera\u201d, que pretende reunir perfis de mulheres pioneiras na Tr\u00edplice Fronteira. Marta Schwarz ser\u00e1 a primeira dessa s\u00e9rie. As pesquisadoras lembram que, apesar do legado deixado pela m\u00e9dica, n\u00e3o existem trabalhos acad\u00eamicos que contem sua hist\u00f3ria e trajet\u00f3ria. \u201cN\u00f3s trabalhamos com a quest\u00e3o de como as mulheres s\u00e3o invisibilizadas e a necessidade de traz\u00ea-las para a hist\u00f3ria\u201d, observa Cleusa Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de m\u00e9dica dedicada a seus pacientes nos tr\u00eas pa\u00edses, Marta tamb\u00e9m foi diretora do Hospital de Puerto Iguaz\u00fa por 40 anos e chegou a assumir o cargo de ministra da Sa\u00fade, Cultura, Educa\u00e7\u00e3o e A\u00e7\u00e3o Social de Misiones (1963). O reconhecimento por sua dedica\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em meados da d\u00e9cada de 1980, quando Marta recebe o pr\u00eamio Alicia Moreau de Justo por ser uma das cem mulheres com trabalhos dedicados \u00e0 Argentina (1968); o pr\u00eamio da ONU por sua trajet\u00f3ria (1999); e o Pr\u00eamio Hip\u00f3crates, da Universidade de Buenos Aires, como m\u00e9dica destacada na assist\u00eancia rural (2001). Em 1986, ela recebeu o t\u00edtulo de cidad\u00e3 honor\u00e1ria da cidade de Foz do Igua\u00e7u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Numa percep\u00e7\u00e3o inicial, Marta Schwarz pode ser considerada uma \u201cmulher de a\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Cleusa, ressalvando que ainda n\u00e3o foram realizadas an\u00e1lises aprofundadas dos documentos, devido ao fechamento das fronteiras e a dificuldade de acesso a Puerto Iguazu durante a pandemia. \u201cEla era uma mulher que trabalhava muito, que era de muita a\u00e7\u00e3o\u201d, diz. A m\u00e9dica fez mais de 2.500 partos, deslocava-se ao Brasil e Paraguai para atender seus pacientes e criou uma escola de enfermagem para suprir a falta destes profissionais na regi\u00e3o. \u201cEla praticamente implantou a sa\u00fade na Tr\u00edplice Fronteira\u201d, enfatiza Jorgelina Tallei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Para ela, Marta \u201cera, de fato, uma mulher que queria transformar o seu tempo\u201d. \u201cEla n\u00e3o era uma mulher que s\u00f3 transitava no mundo dos homens. Ela queria transformar o seu tempo, o territ\u00f3rio onde estava. Nesse mundo todo transitado por homens, ela transformou\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Jorgelina observa que a ideia da pesquisa surgiu durante a pandemia, quando mulheres atuaram com intensidade, tanto as profissionais da sa\u00fade, como as demais profissionais que tiveram de trabalhar de forma remota, absorvendo a educa\u00e7\u00e3o dos filhos e os cuidados com a casa ao mesmo tempo. A sa\u00fade, lembra Jorgelina, na \u00e9poca em que Marta chegou \u00e0 regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u, era um espa\u00e7o de homens em sua maioria, mas ainda hoje \u00e9 poss\u00edvel perceber essas diferen\u00e7as. Para ela, a pandemia trouxe \u00e0 tona essa quest\u00e3o. \u201cA pandemia \u00e9 um momento em que a quest\u00e3o de g\u00eanero foi muito visibilizada. Se observarmos, a maioria dos [especialistas] que falam sobre a pandemia s\u00e3o homens. Poucos escutam as enfermeiras, que est\u00e3o na linha de frente do combate\u201d, exemplifica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Desenvolvida a partir tamb\u00e9m da perspectiva da interculturalidade lingu\u00edstica, a pesquisa busca apontar tamb\u00e9m como a m\u00e9dica se comunicava com seus pacientes. Al\u00e9m de espanhol, Marta tamb\u00e9m falava portugu\u00eas e guarani. \u201cO fato de viver na fronteira j\u00e1 carrega o vi\u00e9s da interculturalidade. N\u00f3s queremos saber como ela se contextualizava sendo uma mulher de fronteira. Em que l\u00ednguas ela interagia com seus pacientes e qual a rela\u00e7\u00e3o dela tamb\u00e9m com o espa\u00e7o geogr\u00e1fico, com sua cultura\u201d, enumera Jorgelina, lembrando que quando a m\u00e9dica chegou \u00e0 regi\u00e3o, o espanhol circulava com muito mais for\u00e7a que o portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Com a pesquisa, diz Cleusa Gomes, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar que as mulheres precisam ser, cada vez mais, \u201cdescobertas\u201d. \u201cQuem tem a preocupa\u00e7\u00e3o de trazer as mulheres para a mem\u00f3ria hist\u00f3rica, para a autoconsci\u00eancia s\u00e3o as pr\u00f3prias mulheres. \u00c9 preciso olhar para o passado para nos reconhecermos no presente. Nos reconhecermos nessas mulheres.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARTA TEODORA SCHWARZ<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1915 \u2013 Nasce em Buenos Aires, Argentina<br>1920 \u2013 Inicia o ensino fundamental em Buenos Aires<br>1927 \u2013 Inicia o ensino m\u00e9dio em S\u00e3o Salvador de Jujuy<br>1935 \u2013 Finaliza o ensino m\u00e9dio no Col\u00e9gio Nacional<br>1945 \u2013 Forma-se m\u00e9dica na Universidade Nacional de C\u00f3rdoba<br>1948 \u2013 Come\u00e7a sua carreira na medicina em Puerto Naranjito<br>1949 \u2013 Pede transfer\u00eancia para Posadas para trabalhar como m\u00e9dica interna do hospital local<br>1949 \u2013 \u00c9 transferida para Puerto Iguaz\u00fa e assume o hospital da cidade<br>1963 \u2013 Assume o cargo de ministra da Sa\u00fade, Cultura, Educa\u00e7\u00e3o e A\u00e7\u00e3o Social do estado de Misiones<br>1986 \u2013 Recebe o Pr\u00eamio Alicia Moreau de Justo (AR) &#8211; entregue a 100 mulheres que trabalharam por seu pa\u00eds<br>1986 \u2013 \u00c9 declarada cidad\u00e3 honor\u00e1ria da cidade de Foz do Igua\u00e7u<br>1999 \u2013 Recebe pr\u00eamio da ONU por sua trajet\u00f3ria<br>2001 \u2013 Recebe o Pr\u00eamio Hip\u00f3crates (Universidade de Buenos Aires) pelo trabalho m\u00e9dico na assist\u00eancia rural<br>2005 \u2013 Morre em Puerto Iguaz\u00fa, no dia 29 de mar\u00e7o<br><br>Da assessoria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marta Teodora Schwarz chegou a Puerto Iguaz\u00fa em 1949 para construir um legado de sa\u00fade e cuidados Ela nasceu em<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9987,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1771],"tags":[154,221,714,802,887,1235,2041,1497],"class_list":["post-9984","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-historia","tag-acelera-foz","tag-argentina","tag-foz-do-iguacu-destino-do-mundo","tag-home","tag-itaipu-turismo","tag-puerto-iguazu","tag-triplice-fronteira","tag-vem-pra-foz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9984\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9987"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}