{"id":6687,"date":"2021-08-14T09:19:00","date_gmt":"2021-08-14T12:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/silvanacanal.wordpress.com\/?p=6687"},"modified":"2021-08-14T09:19:00","modified_gmt":"2021-08-14T12:19:00","slug":"pesquisador-analisa-a-presenca-de-mitos-indigenas-em-producoes-audiovisuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/2021\/08\/14\/pesquisador-analisa-a-presenca-de-mitos-indigenas-em-producoes-audiovisuais\/","title":{"rendered":"Pesquisador analisa a presen\u00e7a de mitos ind\u00edgenas em produ\u00e7\u00f5es audiovisuais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> <strong>Representantes do Brasil, Argentina e Paraguai participam da iniciativa, que visa a debater temas relativos \u00e0 sa\u00fade, especialmente na Tr\u00edplice Fronteira.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Cidade Invis\u00edvel, produ\u00e7\u00e3o brasileira em cartaz na Netflix, assim como outras s\u00e9ries e filmes, alia elementos da cultura guarani a uma narrativa pop. O docente do curso de Antropologia da UNILA Rodrigo Juan Villagra Carron, pesquisador da cultura ind\u00edgena, fala sobre esse tema no epis\u00f3dio da s\u00e9rie \u00bfQu\u00e9 Pasa?, produzida pela Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade. O programa pode ser assistido na \u00edntegra no canal da UNILA no YouTube (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/quepasa_mitos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/bit.ly\/quepasa_mitos<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">\u201cCreio que \u00e9 uma iniciativa que parece como um antigo, mas um renovado assombro, ou um interesse leg\u00edtimo por conhecer, explorar, amplificar o conhecimento sobre as tradi\u00e7\u00f5es, a cultura, a mitologia amer\u00edndias. No caso de Cidade Invis\u00edvel, \u00e9 retocar temas que j\u00e1 s\u00e3o do folclore brasileiro, mas que devem sua origem \u00e0 mitologia ligada ao povo tupi-guarani\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Para ele, no uso de figuras tradicionais ind\u00edgenas, ou mitos ind\u00edgenas, como o saci-perer\u00ea ou o curupira, h\u00e1 uma \u201cpermuta\u00e7\u00e3o\u201d ou uma adapta\u00e7\u00e3o a diferentes contextos. \u201cOs mitos t\u00eam origem guarani, mas j\u00e1 est\u00e3o universalizados no contexto nacional de cada pa\u00eds\u201d, observa. O saci-perer\u00ea, exemplifica o docente, no Paraguai e na Argentina, tem correspondente em Yasy Yater\u00e9, um menino de cabelos vermelhos. Dessa forma, em cada pa\u00eds esses elementos da mitologia guarani ganham contornos diferentes. Essas figuras, diz Villagra, \u201ct\u00eam a ver com figuras muito presentes no mundo dos n\u00e3o humanos ou meta-humanos dos povos ind\u00edgenas\u201d. \u201cAs narrativas m\u00edticas s\u00e3o colocadas sob uma estrutura relativamente comum para expressar a ansiedade, a cosmologia e as condutas sociais adequadas.\u201d Em Cidade Invis\u00edvel, o folclore foi adequado ao cotidiano do Rio de Janeiro, comenta Villagra, e tamb\u00e9m incorporou outros elementos, como a luta pelo meio ambiente e um roteiro que incorpora mist\u00e9rio e suspense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Ele cita a s\u00e9rie Fronteira Verde, produ\u00e7\u00e3o colombiana que tamb\u00e9m segue o mesmo modelo, aliando investiga\u00e7\u00e3o policial e elementos do folclore da Col\u00f4mbia. A hist\u00f3ria se passa em Leticia, cidade transfronteiri\u00e7a onde vivem ind\u00edgenas da tribo Ticuna. \u201cS\u00e3o duas produ\u00e7\u00f5es bastante novas e contempor\u00e2neas deste renovado assombro, com as tradi\u00e7\u00f5es que foram repensadas, transformadas e popularizadas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A literatura infantil tamb\u00e9m \u00e9 um exemplo do uso das tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Villagra cita o livro \u201cAdormeceu a Margarida?\u201d, de Maria Helo\u00edsa Penteado, no qual uma menina acorda na floresta cercada de figuras como o saci-perer\u00ea e o curupira. \u201cDe alguma maneira nos fazem pensar em nossa identidade como uma identidade alterna, que tamb\u00e9m pode oferecer outras facetas liter\u00e1rias, que n\u00e3o s\u00e3o lugares comuns\u201d, diz, citando as figuras celtas, vikings ou europeias muito exploradas, como a Branca de Neve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sem fronteiras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O tupi e o guarani e suas varia\u00e7\u00f5es formaram uma base comum que une Brasil, Paraguai e Argentina e que criou um \u201cimagin\u00e1rio coletivo\u201d com elementos adaptados a cada pa\u00eds. \u201cToda tradi\u00e7\u00e3o oral \u00e9 an\u00f4nima, e mais que an\u00f4nima, comunit\u00e1ria ou coletiva, pertence a um povo em sentido amplo. No entanto, algum autor a retoma em um conto, agora pelos meios digitais [como o cinema], e ent\u00e3o [essa tradi\u00e7\u00e3o] se expande\u201d, diz e completa. \u201cN\u00e3o vamos ver nunca essas tradi\u00e7\u00f5es se repetindo tal qual s\u00e3o, porque quem traduz trai, e quem trai cria e recria outra coisa em seus pr\u00f3prios termos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Sobre a cr\u00edtica de haver apropria\u00e7\u00e3o cultural por parte dos produtores das s\u00e9ries, Villagra polemiza avaliando que as figuras folcl\u00f3ricas n\u00e3o s\u00e3o mais encaradas como tradi\u00e7\u00f5es hoje em dia. \u201cObviamente, pode haver vozes que digam que sim, que isso \u00e9 parte de sua tradi\u00e7\u00e3o que foi tomada sem consulta\u201d, diz, lembrando que quest\u00f5es de direitos intelectuais e patrimoniais s\u00e3o muito discutidas na Am\u00e9rica Latina. \u201cNesse contexto, eu diria que a s\u00e9rie retoma uma tradi\u00e7\u00e3o brasileira que tem origem guarani e que essa origem n\u00e3o necessariamente ser\u00e1 reivindicada pelos guaranis\u201d, avalia, dizendo que hoje a na\u00e7\u00e3o guarani tem muitas divis\u00f5es e cada uma delas tem figuras diferentes, que podem citar saci-perer\u00ea ou curupira, mas que n\u00e3o v\u00e3o necessariamente trat\u00e1-las como divindades de seu \u201cpante\u00e3o\u201d. \u201cNenhum xam\u00e3 vai mencionar o saci ou o curupira como parte de seu mundo religioso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, ressalva o pesquisador, essa quest\u00e3o n\u00e3o isenta os produtores de filmes e s\u00e9ries da consulta aos ind\u00edgenas. Os ticunas, afirma, foram ouvidos para a produ\u00e7\u00e3o de Fronteira Verde; em P\u00e1ssaros de Ver\u00e3o, a l\u00edngua usada na maior parte do tempo \u00e9 a dos wayuu \u2013 povo que vive entre a Venezuela e a Col\u00f4mbia e empresta elementos \u00e0 trama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A explora\u00e7\u00e3o de mitos, narrativas e religiosidade amer\u00edndia pela cultura pop, diz o professor, esbarra na necessidade de compreender o contexto e de refletir sobre um interesse e um c\u00f3digo a ser entendido. \u201cOs mitos ind\u00edgenas refletem uma origem determinada que explica como o mundo \u00e9 mundo. Para entender como o sol e a lua se formaram \u2013 um dos mitos amer\u00edndios mais difundidos \u2013, precisamos entender o contexto, porque de outra maneira [a hist\u00f3ria] n\u00e3o ter\u00e1 for\u00e7a\u201d, comenta, lembrando que esse mito tem animais e plantas presentes no cotidiano dos ind\u00edgenas, assim como tantos outros. \u201c\u00c9 claro que, em um formato adequado, todos esses mitos podem nos trazer e propor outra explica\u00e7\u00e3o do mundo que n\u00e3o \u00e9 a nossa. Mas, digamos, na narrativa em que est\u00e1, ou fio narrativo, as caracter\u00edsticas t\u00eam de ser mais ou menos respeitadas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> Representantes do Brasil, Argentina e Paraguai participam da iniciativa, que visa a debater temas relativos \u00e0 sa\u00fade, especialmente na Tr\u00edplice Fronteira. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6690,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[30],"tags":[154,714,802,883],"class_list":["post-6687","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","tag-acelera-foz","tag-foz-do-iguacu-destino-do-mundo","tag-home","tag-itaipu-binacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6687"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6687\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6690"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}