{"id":12327,"date":"2022-09-26T16:19:23","date_gmt":"2022-09-26T19:19:23","guid":{"rendered":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/?p=12327"},"modified":"2022-09-26T16:19:25","modified_gmt":"2022-09-26T19:19:25","slug":"utilizacao-de-cimento-lc3-pode-diminuir-impacto-ambiental-da-construcao-civil-aponta-pesquisa-inedita-da-unila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/2022\/09\/26\/utilizacao-de-cimento-lc3-pode-diminuir-impacto-ambiental-da-construcao-civil-aponta-pesquisa-inedita-da-unila\/","title":{"rendered":"Utiliza\u00e7\u00e3o de cimento LC3 pode diminuir impacto ambiental da constru\u00e7\u00e3o civil, aponta pesquisa in\u00e9dita da UNILA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><em><strong>Al\u00e9m de diminuir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e o consumo de energia, o LC3 tem menor custo de produ\u00e7\u00e3o, o que o torna um dos melhores substitutos sustent\u00e1veis do cimento convencional\u00a0\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/silvanacanal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12329\" width=\"409\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/silvanacanal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/unnamed-1.jpg 800w, https:\/\/silvanacanal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/unnamed-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/silvanacanal.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/unnamed-1-768x513.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 409px) 100vw, 409px\" \/><figcaption>Mestra Dalila Cristina Netto Sella<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores e profissionais de v\u00e1rias partes do mundo est\u00e3o empenhados em desenvolver materiais e tecnologias que tornem a constru\u00e7\u00e3o civil mais sustent\u00e1vel. As constru\u00e7\u00f5es, nos moldes em que s\u00e3o erguidas hoje, consomem muitos recursos naturais, demandam um alto consumo de energia e emitem toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera. <strong>Somente a ind\u00fastria cimenteira \u00e9 respons\u00e1vel por 7% das emiss\u00f5es mundiais de CO2.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das alternativas apontadas por especialistas \u00e9 substituir o <strong>cimento comum pelo cimento de calc\u00e1rio e argila calcinada <\/strong>(conhecido como LC3, da sigla em ingl\u00eas de\u00a0<em>Limestone Calcined Clay Cement<\/em>). A UNILA tem uma linha de pesquisa que, desde 2020, estuda a viabilidade desse novo material. Um dos estudos mais recentes <strong>apontou que o uso de LC3 pode diminuir as emiss\u00f5es de carbono<\/strong>. Enquanto para produzir uma tonelada de cimento Portland comum s\u00e3o emitidos 809 quilos de di\u00f3xido de carbono, para produzir uma tonelada de LC3 as emiss\u00f5es chegam a 536 quilos, 36% a menos. E, de acordo com a respons\u00e1vel pela pesquisa, a mestra em Engenharia Civil pela UNILA Dalila Cristina Netto Sella, <em>\u201cquando \u00e0 mistura do cimento s\u00e3o acrescentados outros elementos como res\u00edduos de telhas ou de tijolos, essa redu\u00e7\u00e3o pode chegar a 48% se comparado a um cimento convencional sem adi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grande diferencial do LC3 \u00e9 sua composi\u00e7\u00e3o. No cimento comum, o principal componente (95%) \u00e9 o cl\u00ednquer, composto que surge do superaquecimento da rocha carbon\u00e1tica. J\u00e1 no LC3, substitui-se 50% do cl\u00ednquer por uma mistura de argila e calc\u00e1rio. \u201cA argila \u00e9 colocada em um forno a 800\u00baC que transforma seus componentes em caulinita, melhorando sua resist\u00eancia. Ao misturar essa argila calcinada com o calc\u00e1rio, cl\u00ednquer e gesso, \u00e9 gerado o LC3, que tem as mesmas propriedades do cimento comum, podendo ser facilmente usado em telhas, estruturas n\u00e3o armadas,&nbsp;<em>pavers<\/em>&nbsp;e tantas outras aplica\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o civil\u201d, explica a coordenadora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Civil da UNILA, Edna Possan. Esse processo requer metade da energia utilizada na produ\u00e7\u00e3o do cl\u00ednquer, trazendo um impacto menor ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de diminuir as emiss\u00f5es de CO2 e o consumo de energia, o LC3 tem menor custo de produ\u00e7\u00e3o, o que o torna um dos melhores substitutos sustent\u00e1veis do cimento convencional. \u201cA grande vantagem do LC3 \u00e9 que tanto a argila como o filler calc\u00e1rio s\u00e3o materiais abundantes e facilmente encontrados. Ent\u00e3o, esta \u00e9 uma forma vi\u00e1vel de reduzir as emiss\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o civil\u201d, salientou a docente Ana Carolina Parakinski dos Santos. Atualmente, o material j\u00e1 vem sendo utilizado em larga escala em constru\u00e7\u00f5es em pa\u00edses como a \u00cdndia e a Col\u00f4mbia. No Brasil, ainda n\u00e3o h\u00e1 uma norma que autoriza a produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o desse tipo de cimento. De acordo com a pesquisadora, ainda faltam estudos para entender o desempenho do LC3 nos diversos usos da constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pesquisas voltadas para a Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Civil (PPG-ECI) da UNILA quer ampliar as pesquisas com LC3 voltadas para o cen\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. As primeiras alunas que abordaram essa tem\u00e1tica&nbsp;\u2013 as engenheiras Dalila Netto Sella e Raquel Pedroso Dias&nbsp;\u2013 estudaram o LC3 produzido a partir de argilas da regi\u00e3o Oeste do Paran\u00e1. Elas coletaram amostras e fizeram ensaios com argilas obtidas em f\u00e1bricas de cer\u00e2mica da regi\u00e3o para ver qual tinha a composi\u00e7\u00e3o mais adequada para a produ\u00e7\u00e3o do cimento alternativo. Com o LC3 em m\u00e3os, as discentes realizaram v\u00e1rios experimentos no Laborat\u00f3rio de Desempenho, Estruturas e Materiais (LADEMA) da UNILA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa de Raquel Pedroso Dias desenvolveu e caracterizou cimentos LC3 a partir de materiais argilosos de Foz do Igua\u00e7u e regi\u00e3o, considerando diferentes distribui\u00e7\u00f5es granulom\u00e9tricas das mat\u00e9rias-primas. \u201cApesar do baixo teor de caulinita das argilas da regi\u00e3o, conclu\u00edmos na disserta\u00e7\u00e3o que \u00e9 poss\u00edvel produzir cimentos LC3 a partir desses materiais argilosos. Ademais, os corpos de prova fabricados com os cimentos LC3 superaram a resist\u00eancia dos fabricados com cimento convencional j\u00e1 aos 7 dias\u201d, disse Raquel, que atualmente atua como engenheira civil na Prefeitura Municipal de Palotina (PR).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 Dalila Cristina Netto Sella analisou as emiss\u00f5es e a forma como o LC3 captura o carbono do ambiente. \u201cCom as amostras de LC3 produzidas em laborat\u00f3rio, foram desenvolvidos dois estudos: no primeiro, as amostras em processo de hidrata\u00e7\u00e3o inicial foram colocadas na C\u00e2mara de CO2, onde ficaram por um per\u00edodo de 24 a 72 horas. Neste processo o CO2 combina quimicamente com alguns compostos em hidrata\u00e7\u00e3o, ficando fixado na matriz ciment\u00edcia. No segundo ensaio, as amostras passaram por 63 dias de hidrata\u00e7\u00e3o e, somente ap\u00f3s este per\u00edodo, foram submetidas \u00e0 carbonata\u00e7\u00e3o acelerada, simulando a maior parte das obras em concreto produzidas atualmente. Depois, por meio de ensaios de an\u00e1lise t\u00e9rmica, conseguimos verificar e calcular quanto o cimento capturou de CO2\u201d, explica Dalila, que \u00e9 Engenheira Civil na UNILA. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/dspace.unila.edu.br\/handle\/123456789\/6624\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">trabalho<\/a>&nbsp;\u00e9 in\u00e9dito no mundo e foi orientado pela professora Edna Possan. At\u00e9 agora n\u00e3o h\u00e1 nenhuma outra publica\u00e7\u00e3o que aborda a capacidade de captura de carbono em matrizes \u00e0 base de cimentos LC3 por meio da carbonata\u00e7\u00e3o acelerada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A pesquisa mais recente iniciada no PPGECI quer avaliar o potencial produtivo desse tipo de cimento no Paraguai. O mestrando Christian Gabriel Gonz\u00e1lez Denton iniciou recentemente um estudo voltado para a regi\u00e3o do Departamento Central, sob a orienta\u00e7\u00e3o da professora Ana Carolina dos Santos. \u201cPara o LC3, h\u00e1 uma s\u00e9rie de fatores que t\u00eam que ser analisados para avaliar se a tecnologia pode ser implementada. Um deles \u00e9 que as argilas devem ter um teor de caulinita acima de 40%. E outro fator \u00e9 a proximidade com as ind\u00fastrias de cimento. Por conta disso, selecionei a regi\u00e3o do Departamento Central do Paraguai, que \u00e9 onde est\u00e1 em funcionamento a ind\u00fastria nacional de cimento no pa\u00eds\u201d, salientou. Christian est\u00e1 na etapa inicial da pesquisa, que \u00e9 a extra\u00e7\u00e3o da argila, principal mat\u00e9ria prima do LC3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Para a coordenadora do programa, professora Edna Possan, o foco na realidade latino-americana vai ao encontro da pr\u00f3pria miss\u00e3o da UNILA de contribuir para o desenvolvimento regional. \u201cPensar em tecnologias para desenvolver o LC3 no Paraguai \u00e9 bem importante, porque amplia a abrang\u00eancia da nossa pesquisa para al\u00e9m das fronteiras nacionais. \u00c9 uma forma de internacionaliza\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da ci\u00eancia, e esperamos que possa ser amplificada para toda a Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de diminuir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e o consumo de energia, o LC3 tem menor custo de produ\u00e7\u00e3o, o que o torna um dos melhores substitutos sustent\u00e1veis do cimento convencional\u00a0\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12328,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2076],"tags":[2596,714,802,2597,1470],"class_list":["post-12327","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente","tag-cimento-lc3","tag-foz-do-iguacu-destino-do-mundo","tag-home","tag-impacto-ambiental-construcao-civil","tag-unila"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12327"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12327\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12330,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12327\/revisions\/12330"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/silvanacanal.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}